Perigo na escuridão da BR-470


Publicada originalmente no Santa em 1/4/2010

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Trevo entre a Rua Ari Barroso e a BR-470 só recebe iluminação dos faróis dos carros e postes distantes


CRISTIAN WEISS
BLUMENAU

Debruçado sobre o balcão do restaurante, na esquina da Rua Ari Barroso com o Km 54,5 da BR-470, o comerciante José Carlos Rochinski, 40 anos, perdeu a conta de quantos acidentes presenciou à noite no movimentado trevo que dá acesso ao Bairro Itoupavazinha. No local, há apenas um poste de iluminação fixado à esquina, o outro mais próximo está somente a 300 metros do trevo. A iluminação na rotatória é garantida apenas por faróis.

– Pelo menos três vezes por semana vejo alguma batida à noite. Há uns 15 dias foram três em menos de uma hora. Quando escurece fica mais perigoso. E a segurança de quem precisa passar por aqui todos os dias? – questiona Rochinski.

A auxiliar administrativo Dayana Boehringer, 22, usa o trecho todos os dias para ir à faculdade à noite. Ela se sente insegura:

– Cada vez que passo pelo trevo fico com mais receio. Já vi muitos acidentes à noite. Não custa instalar alguns postes para iluminar.

A reportagem do Santa acompanhou o movimento do trecho por meia-hora, na última segundafeira. Em menos de 10 minutos, por pouco não houve três acidentes entre motocicletas e um ônibus que saíam da Rua Ari Barroso em direção à BR-470.

O acidente mais grave aconteceu na madrugada do último sábado, quando um motociclista morreu ao tentar contornar o trevo. Sigmar Figueiredo, 30, saía da Rua Ari Barroso em direção à rodovia quando foi atingido por um Golf. Internado no Hospital Santa Isabel com traumatismo craniano, morreu. Inspetor chefe da Polícia Rodoviária Federal, Manoel Fernandes Bittencourt reconhece que o trecho mal iluminado é um fator agravante para os acidentes, mas ressalta:

– A falta de iluminação não pode ser colocada como causa principal do problema. Os acidentes acontecem por descuido e imprudência. Mas, claro que se estivesse mais claro, muitos poderiam ser evitados.

Impasse entre prefeitura, Estado e União prejudica moradores

Responsável pela BR-470, o superintendente do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), Elifas Marques, diz que os contratos de manutenção da rodovia não contemplam iluminação pública. Segundo ele, os contratos seguem um padrão regido pelo Dnit, que garantem verbas apenas para conservação do corpo da rodovia. Marques argumenta que o departamento não recebe verbas da Contribuição para o Custeio da Iluminação Pública dos Municípios (Cosip).

A taxa é cobrada da população na conta de luz e repassada às prefeituras para manutenção dos postes. Por isso, Marques defende que as prefeituras deveriam assumir a manutenção e instalação das luminárias.

– O que estamos sugerindo aos municípios da região é estabelecer parcerias para manutenção das rodovias. Mas a iluminação tem ficado por conta das prefeituras – explica.

O diretor de Serviços Urbanos da prefeitura de Blumenau, Valdeci Dutra, argumenta que já encaminhou à Celesc um anteprojeto de iluminação nos trevos da Rua Ari Barroso, Celeiro do Vale e Dr. Pedro Zimmermann. Mas não há prazo de execução, porque depende da elaboração do projeto executivo e do orçamento por parte da Celesc. Procurado pelo Santa, o gerente regional da Celesc, Régis Evaloir da Silva, não soube dizer como anda o projeto, porque recebe inúmeros por dia e precisava analisar com calma.


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